sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

NÃO É TEMA!

Maturidade. Eita palavra forte e operante nesses dias, um discurso que não se esvazia. Ora hoje recebo o teor amargo dessa tal maturidade, essa palavrinha mágica enquanto linguagem de resignação - um discurso inibidor. Primeiramente é preciso ficar claro, não recorri a dicionário e nem confirmei se a palavra se constituiu do latim, também não fiz revisão bibliográfica e não consultei obras de referência. Não tenho método. Eu vim da maturidade e por ela eu me desfaço numa nudez que põe as calças aos pés. Á tempo essa tal palavra me incomoda feito um alarme ressonante que me inibe e me pega pelos punhos – me paralisa. Eu quero rasgar as palavras pra chegar nessa tal maturidade enquanto eu. Não levarei os resultados disso à congressos, conferências nem simpósios. Não quero limitações.
Deitada. A maturidade é uma palavra deitada; ela inibe os caminhos. É pesada e tem sempre alguém pra dizer “tira ela daí”. Afasta. Tira. Ira. Ela traz em si uma prepotência calcada num pensamento resistente. É moderna a maturidade, é doravante nas promessas, instaura as premissas, domina até o pensamento. Ela não abre espaços para os tons de vermelhos e para redefinição estética do pensamento. É monocromático, é tão pouco racional. A maturidade é uma palavra quase sem sentido enquanto inibidora da ousadia, da imprudência! Não constrói, paralisa, por vezes, consagrada no discurso da segurança, do autoconhecimento e da experiência. A maturidade não distingue... Ela agrupa e ordena!
A maturidade dos homens da Ciência me chama atenção. São homens com sete cabeças e nenhuma que as mereçam. Tens alguns deles que são maduros o suficiente e consagram até a vaidade. São velhos e suas idades são construídas com esforços e não admitem qualquer olhar para trás que signifique arrombar as garantias. Devem sofrer de maturidade de mais... Tudo em nome da Ciência. Eu diria “Ciência: troca o nome Ciência”. A linguagem dos homens da Ciência é o estojo de maquiar os rostos. É uma provocação. Não é poesia e nem versos decassílabos, pode ser um bordel ou um galinheiro, mas é aqui aonde se trabalha pintado.
Quando chega a maturidade o tema já se desfez. A Ciência se distancia da vida enquanto maturidade. Não se torna a flor da pele, se torna a flor dos artigos, das citações, da cientificidade mal calculada. Falta o p. Falta o sangue. A maturidade distrai o pensamento e o cristaliza. Edifica-se uma barreira e celebram-se as mesmas respostas. É mais uma linguagem da resistência. Na próxima aula, discutiremos a maturidade, tragam as tarefas, não cheguem atrasados e não perturbem a aula. Não é tema. Falem baixo. Façam silêncio. As vezes a gente pensa que depois da maturidade não tem mais nada, é a retradução intimidadora que se adquire pela repetição do discurso. Não se penetra na maturidade. O uso da palavra é enviesado e, por várias vezes se fixa alguém no seu devido lugar como um livro limpo que tem seu lugar guardado na estante. Você sente-se aqui. Acima de tudo a maturidade acompanha esses homens, e eles munido desse discurso intervencionista estipulam um controle, um berço pequeno. A maturidade é a linguagem da estratificação e acima de tudo, desincorpora as mudanças, busca a resignação do pensamento. Querem-me resignado. Não sacode a revolta. Ela não presta contas, escamoteia o desejo do duvidoso, as nuanças vertiginosas, e incorpora o ideal. Perde-se o agora, o instinto. É. A vida se esvazia no discurso da maturidade e os homens da Ciência são todos maduros. Não os confio! Não guardo reservas!
Sejam maduros nesta leitura!

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