domingo, 1 de junho de 2008

Imprecisão

A noite chega e o silêncio dos atos diários, o barulho da cozinha, os carros, já não são ouvidos freqüentemente. Casualmente, ouvimos barulhos solitários que logo nos abandonam trazendo um silêncio, quase que, ingovernável. Há uma silêncio forte mas que não pode ser maior do que o incômodo da imprecisão. Admito, por força maior, que somos todos imprecisos – no amor , no jogo, na disputa, nas novelas e na própria redundância. Minhas convicções são frutos verdes, e o delírio contrasta com a idéia firme, coesa e prática da existência. Bandeiras do passado e próxima a barbárie, hoje a imprecisão governa em nome da vida cujo tempo entrega, sem pedir, nenhuma garantia. A vida corre na falta de traquejo e afirma uma delicada incompletude habitante dos corações; é sangue do próprio sangue. Se há um inimigo comum, poderíamos afirmam que toda a responsável por isso deve-se à sensibilidade intrínseca aos detalhes do tédio, as marcas da felicidade rala e a compaixão que devemos à sentimentalidade do mundo e as forças do lirismo. A noite é desespero de bom poeta e seres destinados às perguntas – descartáveis – que emitimos aos montes a fim de melhorar a capacidade falaciosa do auto-conhecimento. O que há, de certo, nisso tudo é compromisso com a entrega, meio amarga, ao dizer; às palavras mágicas, ao tom simplista e comovente da escrita que pede passagem e codifica horizontes tangíveis pelos minutos que forem necessários a sua própria existência – qualquer coisa esquece! Quando se escreve é possível sentir (prever, imaginar,planejar não) que ainda estamos distante do ponto da escrita por que existe um sintoma de que chegamos à dizer somente com palavras falsificadas e distantes aquilo que realmente gostaríamos de dizer. É um sentimento nítido de que ainda faltam palavras e a escrita está se tornando pequena pois, ao seu lado, cresce a possibilidade de escrita ; é fluidez, meu senhor. Viva! Quando a escrita torna-se pequena radia sobre si um sentimento rigoroso de que podemos afirmar qualquer imprecisão em nome da vida que ser quer; do que se deseja sobre si e sobre os outros. Há um sopro no fundo do coração, lágrimas lavam os poros, e as palavras saem sobre nós como se fossemos monstros doravante! A escrita chega ao ponto quando isso acontece e faz da imprecisão uma afirmação da humana condição. Quando a escrita chega ao ponto, a imprecisão tornou-se glória e as palavras escorrem pelos dedos. Meu coração está em festa, meu corpo entregue a ti, ora, imprecisão!

Um comentário:

Anônimo disse...

sua escrita me impreciona

Para mim, imprecisão é caos
o sentimento eufórico das respostas que não se tem,
ou mesmo do próprio vazio.

impreciso poderia ser também aquilo que, de forma alguma, necessitamos.